Figuras e figurinos do Pinto da Madrugada 2013

Figuras e figurinos do Pinto da Madrugada 2013

Mais uma saída às ruas de Maceió do bloco Pinto da Madrugada o consolida como a principal festa popular do Carnaval em Alagoas. A bem dizer é um pré-carnaval, já que o bloco sai uma semana antes da data oficial do evento. O que importa é que o Pinto já virou tradição e traz cada vez mais a participação espontânea das pessoas que querem se divertir em paz e dividir essa alegria com a família e os amigos.

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• Veja também o post sobre o Pinto da Madrugada em 2012


 

100 anos depois, uma nova luta contra a quebra de Xangô

100 anos depois, uma nova luta contra a quebra de Xangô

 Fim de festa na praia da Pajuçara, em Maceió.

 
 
Há 100 anos atrás aconteceu em Alagoas um episódio que ficou conhecido como “O Quebra de Xangô”. Foi um ato de violência empreendido por uma milícia que se denominava Liga dos Republicanos Combatentes, formada por veteranos de guerra e políticos, que invadiram e depredaram os principais terreiros de candomblé de Maceió. Eles destruiram imagens, queimaram as casas de culto, espancaram e mataram os pais de santo. A onda violenta também espalhou-se para o interior do Estado. A principal motivação para esse ato extremo de intolerância religiosa foi política. A Liga fazia oposição ao então governador do Estado, Euclides Malta, e o relacionava com o candomblé. Diziam que Malta se mantinha no poder à custa das “bruxarias” de sua protetora, a mãe de santo Tia Marcelina – que teria sido mortalmente ferida no Quebra.

Depois do evento criminoso, houve uma fuga dos pais de santo para outros estados, como Bahia, Pernambuco e Sergipe. Durante décadas, o culto afro praticamente sumiu das vistas da população em Alagoas e, até hoje, um dos reflexos do Quebra de Xangô é o preconceito às religiões de matriz africana no Estado.

Em 2012, talvez por conta de um resquício desse preconceito, um dos mais tradicionais eventos do candomblé e da cultura popular em Alagoas, a festa de Iemanjá, que ocorre todo dia 8 de dezembro, quase não se realiza no seu principal palco – a orla das praias de Ponta Verde e Pajuçara, em Maceió. Um decreto municipal quis limitar em tempo e espaço as festividades. Uma das alegações é que causariam incômodo aos moradores desses bairros da orla por conta de barulho(?). É de se estranhar, por que, somando-se todas as charangas de todos os terreiros que prestam sua homenagem a Iemanjá, seu batuque produziu infinitamente menos barulho que show gospel(!) que a prefeitura patrocinou para comemorar o aniversário da cidade. Era de se esperar menos preconceito e mais laicidade do poder público municipal.

O povo de santo de Maceió protestou e recebeu na Justiça a garantia de manter as festividades e evitar, 100 anos depois, mais uma quebra – dessa vez, por enquanto, apenas de uma tradição.
 

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Um passeio rápido da Europa até a Ásia

Um passeio rápido da Europa até a Ásia

 
Nem é preciso estar muito bem preparado fisicamente para fazer essa travessia entre os dois continentes, e, acredite, a mudança entre ocidente e oriente não será tão traumática. Isso só é possível em Istanbul, a impressionante megalópole turca que, mesmo dividida pelo Bósforo, conseguiu se espalhar entre a Europa e a Ásia. Um pouco do que se pode ver nesse trajeto, passando pela ponte Gálata, está retratada nessa nova galeria do site. (mais…)

Buenos Aires faz par com a melancolia

Buenos Aires faz par com a melancolia

Um dia desses ouvi o escritor Daniel Galera fazer uma descrição precisa do estado de espírito dos argentinos que moram em Buenos Aires: eles vivem em uma constante melancolia, ainda que em alguns momentos se esforcem para velar isso.

Um dos primeiros argentinos que conheci, foi no tempo da faculdade de arquitetura. Era ótima pessoa, convivia bem com uma turma recém-saída do colégio, com média de 17 anos. Certamente ele tinha o dobro de nossa idade, mas também um bom humor para rir das bobagens que falávamos, fazíamos e pensávamos. Era o começo da década de 80 e a ditadura militar ainda estava latente na Argentina. Apesar de nunca ter perguntado ou sabido de nada a esse respeito, sempre imaginei aquele argentino como um refugiado. A precisão do traço no desenho e o tanto que sabia das disciplinas técnicas denunciavam que talvez ele já fosse arquiteto na vida passada, não na espiritual, mas naquela que deixou em seu país. Um dia, anunciaram a volta da democracia na Argentina e ele sumiu daqui.

Muitos anos depois, eu estava na Argentina e reconheci esse cara em várias outras pessoas que vi nas ruas de Buenos Aires, que se concentravam na companhia de um cigarro, procuravam num pensamento coisas ou gente perdidas, mostravam uma animação fora de sintonia com seus próprios olhares. É claro que muito do que ocorreu na história recente do país contribui imensamente para esse apego e saudade a um passado opulento, o qual é a origem de tanto orgulho, outrora soberba. É claro também que nem todos portenhos vivem afogados nesse rio de tristeza e saudosismo. Mas daí toca um tango, e esses também sucumbem ao um estado natural de melancolia.

Despertado pelo comentário do Daniel Galera a respeito dos habitantes de Buenos Aires, fui olhar as fotos que eu fiz nessa cidade. Rapidamente achei vários desses personagens que retratam bem o que escrevi nesse post. Clique no link abaixo, e veja a galeria de imagens.
 

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O Pinto que mais cresce no Carnaval do Brasil

O Pinto que mais cresce no Carnaval do Brasil

Maceió estava fadada a se tornar o túmulo do carnaval. Nem a folia de rua privatizada, que eram as micaretas, estavam mais acontecendo. Foi quando, na calada de um amanhecer do carnaval de 2000, aproveitando o silêncio deixado pelos trios elétricos e o axé da Bahia, o Pinto da Madrugada trouxe de volta o frevo pra rua. Naquele ano, o bloco foi batizado em plena orla da Pajuçara. O padrinho foi o Galo da Madrugada, aquele de Recife, que o mundo inteiro conhece. A iniciativa partiu de um grupo de amigos que, menos por saudosismo, e mais por vontade de resgatar o carnaval autêntico de Maceió, resolveu literalmente botar o bloco na rua. No primeiro ano de atividade, dão conta que umas 5.000 pessoas foram brincar com o Pinto. Nesse desfile de 2012, estimou-se a presença de 150 mil pessoas, de todas as idades. Até eu, que não sou propriamente um folião, não poderia perder a oportunidade de registrar.
 
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Há 100 anos, Machu Picchu não é mais a Atlântida dos Andes

Há 100 anos, Machu Picchu não é mais a Atlântida dos Andes

 
Desde o seu abandono pelos incas, após a chegada dos conquistadores espanhóis no século XVI, Machu Picchu havia se transformado em lenda. A sua localização, ou mesmo existência, foi se tornando mais incerta a cada geração se passava. Há exatamente 100 anos atrás, a perseverança do arqueólogo norte-americano Hiram Bingham e grana investida na sua iniciativa pela Universidade de Yale e a National Geographic Society, fizeram com que a cidade saísse do terreno da fantasia e voltasse para o plano da realidade. O primeiro mérito de Bingham foi convencer alguns camponeses do Vale Sagrado a revelar a localização de uma suposta cidade perdida. Com a informação na mão, Bingham subiu 2400 metros por uma trilha deixada pelos incas, guiado, segundo contam, por um menino de 11 anos. Ao chegar no topo da montanha, o arqueólogo fez a maior descoberta de sua vida, e Machu Picchu deixou de ser uma espécie de Atlândida dos Andes.

Hoje pode-se subir até a cidadela de maneiras diferentes. Através dos ônibus que te levam desde a cidade de Machu Picchu Pueblo (antiga Águas Calientes) serpenteando a montanha ou pela antiga trilha Inca. Mas ao se chegar lá em cima, uma coisa certamente não mudou desde o tempo de Bingham: a surpresa e o encantamento que as ruínas da cidade causam. Dependendo da época do ano, esse momento de contemplação pode sofrer um choque de realidade, quando você se depara com a quantidade de turistas que o local atrai. Mas o governo peruano está dando um jeito de controlar esse fluxo. Agora só será permitida a entrada máxima de 2.500 pessoas por dia no sítio arquelógico. Um dos mecanismos de controle será o aumento da taxa cobrada para ingressar lá. É uma boa medida, pois, antes mesmo que Machu Picchu fosse eleita uma das maravilhas da humanidade, a grande massa de turistas já preocupava os responsáveis pela conservação do local. Agora, até o período de permanência tem limite: 2 horas, que é o tempo que o visitante tem para percorrer um circuito estabelecido. Nada mais de parar, sentar e contemplar. Ainda assim, a experiência deve continuar sendo inesquecível.

A base para os turistas que querem conhecer Machu Picchu é Cusco. Essa cidade fica numa altitude superior à cidadela inca – 3.400 metros acima do nível do mar. É comum ver gente passando mal já na descida do avião. Na recepção dos hotéis, os balões de oxigênio são mais úteis pra quem chega, que a conexão com Internet. Creio que 70% desse desespero é psicológico. De Cusco saem os trens para Águas Calientes. Mas recomendo que se desça até o belo Vale Sagrado por via rodoviária e se conheça outras cidades como Yucay e Ollantaytambo. Esta última também conserva um grande sítio arqueológico inca e tem uma estação de trem para Machu Picchu Pueblo. Mais que em qualquer outra viagem, o importante é planejar bem o roteiro no Peru, pois, assim como o Brasil, o país é repleto de atrações. O espírito de Hiram Bingham ainda ronda pelo Peru. Com certeza é ele que vai te provocar a sensação de que faltou descobrir muita coisa por lá e fazer voltar outro dia.

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